domingo, 10 de maio de 2015

O Renascimento do Parto



"Dizem: quando nasce um bebê, nasce uma mãe também. E um polvo. Um restaurante delivery. Uma máquina de chocolate prontinho. Uma mecânica de carrinhos de controle remoto. Uma médica de bonecas. Uma professora-terapeuta-cozinheira de carreira medíocre. Nasce uma fábrica de cafuné, um chafariz de soro fisiológico, um robô que desperta ao som de choro. E principalmente: nasce a fada do beijo.
Quando nasce um bebê, nasce também o medo da morte - mães não se conformam em deixar o mundo sem encaminhar devidamente um filho.
Não pense você que ao se tornar mãe uma mulher abandona todas as mulheres que já foi um dia. Bobagem. Ganha mais mulheres em si mesma. Com seus desejos aumentam sua audácia, sua garra, seus poderes. Se já era impossível, cuidado: ela vira muitas. Também não me venha imaginar mães como seres delicados e frágeis. Mães são fogo, ninguém segura. Se antes eram incapazes de matar um mosquito, adquirem uma fúria inédita. Montam guarda ao lado de suas crias, capazes de matar tudo o que zumbir perto delas: pernilongos, lagartas, leões, gente.
Mães não têm tempo para o ensaio: estreiam a peça no susto. Aprendem a pilotar o avião em pleno voo. E dão o exemplo, mesmo que nunca tenham sido exemplo. Cobrem seus filhos com o cobertor que lhes falta. E, não raro, depois de fazerem o impossível, acreditam que poderiam ter feito melhor. Nunca estarão prontas para a tarefa gigantesca que é criar um filho - alguém está?
Mente quem diz que mãe sente menos dor - pelo contrário! Ela apenas aprende a deixar sua dor para outra hora. Atira o seu choro no chão para ir acalentar o do filho. Nas horas vagas, dorme. Abastece a casa. Trabalha. Encontra os amigos. Lê - ou adormece com um livro no rosto. E, quando tem tempo pra chorar - cadê? -, passou. A mãe então aproveita que a casa está calma e vai recolher os brinquedos da sala. Como esse menino cresceu, ela pensa, a caminho do quarto do filho. Termina o dia exausta, sentada no chão da sala, acompanhada de um sorriso besta.
Já os filhos, ah Filhos fazem a mãe voltar os olhos para coisas que não importavam antes. O índice de umidade do ar. Os ingredientes do suco de caixinha. O nível de sódio do macarrão sem glúten. Onde fica a Guiné-Bissau. Os rumos da agricultura orgânica. As alternativas contra o aquecimento global. Política. E até sua própria saúde. Mães são mulheres ressuscitadas. Filhos as rejuvenescem, tornando a vida delas mais perigosa - e mais urgente.
Quando nasce um bebê, nasce uma empreiteira. Capaz de cavar a estrada quando não há caminho, só para poder indicar: É por ali, filho, naquela direção."
Por Cris Guerra









Opa... acharam que eu ia esquecer?
Parabéns pras vós e Bisa... que também são mães... hehehehehe....





quarta-feira, 6 de maio de 2015

Despedida... ;-(

Buenas...


Ainda nem sabe bem o que é chegar nesse mundo... e já teve a sua primeira perda...

Infelizmente dia 02/05/2015 perdemos o vô do Lucas e o meu pai... 

Nesse tempinho que partilharam desse mundinho... só se viram 'ao vivo' dois finais de semana... 

Mas mesmo antes, quando o vô dele soube que finalmente seria vô... foi uma felicidade... mesmo estando no hospital... quando abriu o embrulho e encontrou os sapatinhos de bebê... abriu um sorriso e deu pra notar os seus olhos brilhando de felicidade.

Durante os 8 meses de espera... pela distância (parece que viajar grávida é bem complicado) e com idas e vindas do hospital, não pode ver muito a barriga da mamãe crescendo... mas sempre tinha noticias... até escutou umas das ecos ao vivo (mesmo sendo proibido, hehehehehe).

Até parece que o Lucas 'se ligou' e resolveu chegar antes... 

Quando completou 1 mês foi ver o vô em casa... Teve de tudo... Desde carinho na testa, beijos, banho na sala do lado da cama, soninho no braço e até um colinho do vô...


Nos outros dias... mesmo com a distância sempre pedia pra ver o Lucas... pela Internet... e o loco aqui tinha que fazer toda uma história... as vezes era na hora do banho, outras vezes brincando no tapetinho ou sei lá...


Outro dia, eu falando com a minha irmã sobre um esquema do IR, ele escutou a minha voz e pediu pra ver o Lucas... Mesmo falando que não dava pois o prazo para a declaração estava acabando não teve jeito... Lucas... Lucas... Lucas... paramos tudo pra ele ver o guri...

É ele gostava de crianças... Ele mesmo cansado dizendo que não queria mais ficar olhando pra tela do computador, enquanto eu não desligasse o skype ele não tirava os olhos da tela...

Não sei explicar direito... mas acredito que ele reuniu as últimas forças pra esperar pra ver todos em casa antes de ir... Era para eu ter ido para PF um final de semana antes (dia 24/04) mas por algum problema não deu... adiamos para o feriado do dia 01/05... como estava programado eu ir dia 24 minha irmã tinha agendado passar o feriadão do dia 01/05 em Joinville, teve que remarcar também pra ficar em PF e ver o Lucas... Bem loco isso....


Nessa última vez, mesmo com dor e incomodado... ficou todo o tempo do banho (sim foi na sala de novo) olhando, sem reclamar de nada...

Mas Lucas... fique sabendo que mesmo vc não lembrando do vô... vc foi muito amado e esperado por ele... Vc não sabe.. mas inventamos a dança da 'bundinha'... quando ele fazia BêBêBé... até saiu um 'porquinho' quando tu soltou um "pum" na cara do vô... (tá nem foi assim... foi só o teu pai que fez barulho de pum, mas ele riu... e curtiu a brincadeira)...



Filho a última foto do vô foi com vc...


"A lição número um
Eu aprendi com meu pai
Quem não sabe pra onde vai,
Não vai a lugar nenhum"



Guri... espero ser um pai tão bom quanto ele foi pra mim...